Pular para o conteúdo principal

O poder de Jasmim

 Apenas mais uma noite quente. Mais uma noite desse verão insuportável. Porém, há algo de extraordinário. Além da presença, dos melhores amigos de Jasmim, no céu, surgem pequenos focos de luz. São as estrelas. Procure a constelação de gêmeos. Observe-a. Perceba os meteoros. Raios de luz. Beleza natural. Sem igual. 
 Jasmim se mudara recentemente pra essa pequena cidade, e já havia feito grandes amigos. Era uma garota simpática. Simples. Gostava do pouco, pois para ela o simples se tornava exuberante. Era uma menina tranquila. Harmonia era a palavra que a guiava. Jasmim era realmente uma flor. Um encanto de menina. Ela não gostava do elaborado, do sofisticado. Uma garota assim é algo raro de se encontrar atualmente. Ela queria paz. Queria a calma que havia encontrado nesse momento. 
 Hoje, as mulheres querem salto alto e maquiagem. Se vestem "para matar". Para "pegar" todos. Pobres e fúteis. Úteis somente para as indústrias de consumo. Apesar disso, são felizes enquanto consomem. São tristes apenas quando se sentem vazias. Será que são vazias? Ah, e já estou me esquecendo de falar da querida Jasmim, e de como ela fazia a diferença.
 Ela poderia mudar o mundo. Ela queria mudar o mundo. Queria ajustá-lo a sua forma de vê-lo. Queria pessoas mais intelectuais, menos industriais. Queria um mundo em que não existisse padrão de beleza. Ah, como essa menina era sonhadora. Gosto dessa simplicidade e desses sonhos, admiro o jeito de ser de Jasmim. Ela mudava as pessoas com quem convivia... E essa não é uma forma de mudar o mundo? Mudava o seu mundo. 
 Nessa noite, Jasmim estava na companhia de seus novos amigos. E cada um, à sua maneira, sentia-se tocado por essa menina. Ela era incrível. Jasmim havia convidado seus amigos para passar a noite na sua fazenda, que era próxima da sua nova cidade. E lá estavam, sentados no escuro. Apenas a luz do velho lampião, ao longe, iluminava-os. Era agradável. Assuntos iam e vinham. Risadas. Segredos. Tudo se passava entre eles. Os olhares misteriosos, a confiança selada. 
 Era um desses momentos, que são únicos na vida. E eles souberam aproveitar cada segundo. Sugar cada gota de néctar do momento. Nunca sabemos se realmente estamos tirando proveito dos momentos por mais que nos obriguem a aproveitá-los. É essa história de viver, e de saber viver.
 Jasmim. É ela sabia viver e em cada momento passava isso para os amigos. Não sei como alguém tão nova, sabia de tantas coisas. 
 A noite deixava aquelas crianças em paz, deixava que elas criassem um universo avulso, onde só elas pudessem viver. Jasmim conduzia cada um, ela deixava-os reflexivos. Ela fez isso com todos seus amigos, e quanto mais pensavam mais dúvidas tinham. As certezas deles agora eram que estavam vivos e que algum dia sua existência na terra se encerraria. Sabiam também que havia amor e  cumplicidade entre eles. 
 E a noite foi embora, levando embora as certezas e as dúvidas. Cada um estava mudado depois dessa noite, cresceram. Então, o dia chegou trazendo paz e harmonia. O dia chegou para dizer que qualquer um pode mudar o mundo. Só começar por si próprio e as pessoas ao seu redor, algum dia terás mudado o mundo. Afinal, você e as pessoas que estão ao seu redor que compõe o seu mundo, não?

Comentários

  1. Eu já te disse em outro post que adoro Jasmim, assim como adorei a tua Jasmim.
    Mudar as pessoas é uma forma de mudar o mundo.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

O que achou do meu texto?

Postagens mais visitadas deste blog

Coração

- Oi, somos alunas aqui da faculdade e vamos te atender hoje. O que te trouxe aqui? - Dor no peito.  O ambulatório era de cardiologia, mas juraria que se eu fosse psiquiatra a atenderia melhor.  Colhemos a história.  - A senhora fuma?  - Três maços por dia.  A carga tabágica era de mais de 100 anos/maço. Porém, tudo culpa da ansiedade.   O que poderíamos fazer?   Sua impaciência. Sua vontade de sair do consultório para mais um trago era evidente.   Ela saiu. Nós esperamos.  O médico, enfim, chegou. Discutimos o caso. Passamos exames cardiológicos, um eletro daqui um eco dali. E assim, diagnosticamos problemas do corpo, mas jamais descobriremos da alma. Seu sofrimento. Sua solidão. Tudo que passamos pode ter sido em vão.   Agradecemos.   Ela agradeceu.  A consulta terminou, mas a lição ficou. A consulta pode até ter sido em vão, mas ela me tocou de coração. 

Francisco

  Mais um dia típico de verão. O calor insuportável. E lá vai Francisco, com uma mochila nas costas e de calças jeans, mencionarei que estava com uma camiseta básica – porém, preta – o que o fazia sentir mais calor do que estava. É, era um dia bonito devo confessar...  Parado esperando o sinal fechar para atravessar refletiu sobre o quão recente era sua cidade e quantas pessoas já haviam passado por ali. Imaginou pessoas com carroças, com roupas simples... Depois voou e imaginou algumas cortesãs... Mais um pouco e imaginou inúmeros drogados... Imaginou famílias felizes passeando... E sua mente virou um pouco de tudo. Com o sinal ainda fechado decidiu prosseguir pela calçada que estava afinal logo a frente haveria outro sinal... Sempre há vários sinais em cidades grandes, e do vermelho pro verde passam num picar de olhos a critica do Francisco era essa, que passavam tão rápidos que às vezes ele nem via o sinal abrir para pedestres...  Francisco observava atentament...

A casa de Dona Maria

Lá estava Maria lavando as meias de seu marido, uma de cada vez. A cada par enxaguado eram lágrimas junto às águas.  Maria era uma típica dona de casa. Subordinada ao marido. Não estava infeliz com a vida que levava. Ela amava cuidar dos filhos e ter tempo de arrumar seu lar. Os dias se passaram lentamente desde quando se casara com Alberto. Claro, ela havia se casado com o amor da sua vida, ou era nisso em que ela acreditava. Alberto, antes deles se casarem sempre levava flores, e a enchia de mimos... Ah, Alberto não era mais o mesmo. As pessoas mudam, porém Alberto tinha se desvencilhado de seus princípios...  Alberto era doce, carinhoso, amava Maria, queria ter três ou quatro filhos. Tinha um olhar carinhoso, uma energia esplêndida. Sonhava em ter uma casa, e aos 27 anos já estava estável. Já tinha um bom emprego em um escritório de advocacia. Era um bom advogado, nunca havia perdido nenhuma causa. E aos 48, ainda não tinha perdido causas, havia perdido apenas a ale...