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 É bom se sentir completa, mesmo quando faltam coisas. É bom se sentir completa, especialmente quando faltam coisas. É boa a sensação de plenitude quando se está longe da maioria das pessoas que amamos, mas estamos bem, porque estamos bem com nós mesmos. 
 Depois de um período de solidão e reflexão, percebemos o quanto somos felizes, pois apesar das tristezas e sofrimentos e sensações ruins que passamos ao decorrer do dia-a-dia é tão bom. É tão bom sentir que somos queridos, amados, que temos amigos, e que temos principalmente a nós mesmos. E que somos, talvez, um verbo intransitivo.
 A felicidade não é nada se não a busca da felicidade. 
 A busca por um outro que te complete passa a ser em vão quando, você não quer encontrar alguém, porque você querendo ou não, seu coração sabe que a pessoa certa está em algum lugar, mesmo que seja do seu lado e você ainda não tenha reparado. A busca por um outro alguém para te completar é se não, um absurdo, porque ninguém vai te completar. Não existe metade de laranja. Não existe hora certa para acontecer as coisas, as coisas simplesmente acontecem. Acho que a atração vem das coisas em comum. Ou seja, a lógica seria, talvez, procurar alguém para te transbordar. Porque as suas coisas em comum são tantas, que não há mais o complete, e as diferenças que passam a ser complementos doces a relação. 
 A felicidade é estar bem com você mesmo. É se encontrar, é ser feliz com sua companhia, é estar bem na solidão, é dialogar consigo mesmo. A felicidade é a "completacidade". Um estado de espírito seria: completo. Porque quando eu me sinto assim, acredito que sou invencível (mesmo não sendo), acredito na minha capacidade, nos meus sonhos mais malucos, nos meus objetivos mais improváveis. Acredito que tudo vai dar certo. Acho que um ser completo, seja um ser-esperança. Um ser esperança paro mundo, para um mundo melhor. Um estar bem para ajudar aos outros, amar, entender, compartilhar, transmitir paz. Isso é ser completo.
 Quebra-cabeça. Acho que talvez eu seja um pouco disso. Um emaranhado de peças que se encaixam e formam essa pessoa-coisas-sentimento que sou. Se perco uma de minhas peças demoro um pouco para fazer outra que se enquadre onde está faltando. Mas, quando a refaço, ela sempre está mais linda que a anterior, e fazendo-a sozinha, parece que é a coisa mais bonita que poderia ter feito, pelo menos é a mais sincera.  É bom se sentir completa quando se perde uma rodinha do lego que você tanto amava montar carrinhos. Quando falta algo, mas esse algo não faz falta. E esse quebra-cabeça, lego, mosaico, verbo intransitivo, enfim, esse conjunto de coisas que sou, é único, que não tem complemento (apesar de ter edições especiais com adições ao pacote), que pode perder peças, que pode ter umas peças maiores que as outras, e que talvez umas nem se encaixem sempre direito, mas elas formam o mosaico mais incrível que eu posso imaginar, que eu posso ser. É bom se sentir completa, especialmente quando faltam coisas. Mesmo quando faltam novas edições limitadas.
 Esse coisa-eu, que nem sempre está completa, hoje está, e está me deixando ser o quebra-cabeça mais belo que eu posso. 

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