Uma coisa que eu ainda não entendi é como as roupas que eu uso, as coisas que eu digo, tudo sou eu. Talvez,
eu apenas não queira entender... Só porque eu uso um brinco, uma anel
quer dizer que as pessoas me veem como se eu fosse só isso, só o que
está por fora, só minha "capa"?! E o restante do livro? As
páginas que com muito custo escrevi, será que tem algo a ver com a capa?
O ser humano é mais que só o corpo, o livro é mais que só a capa.
Só porque você se veste bem não quer dizer que você é bonito por
dentro, mas a sociedade vai julgar que sim. Ou não?! Será que se eu me
vestir de hippie, roqueiro ou mesmo de patricinha, a sociedade em que
estou vai me julgar pela minha roupa? E se eu só quiser me vestir assim,
e se eu quiser mostrar ser alguém que não sou? Meu uniforme
mostra quem eu sou? Só porque tem um IF nele, que eu sou inteligente
porque passei na prova? Será mesmo? Não pode ter sido sorte?! Alô sociedade!
Qual a diferença da minha personalidade para a de muitas pessoas que
estudam nos colégios estaduais ou mesmo os particulares?! Não sei a
verdade, não compreendi ainda esse tema. Afinal, será que isso é rotular
ou mesmo uma relação do seu interior com seu exterior? Então, quem sou
eu? Eu que a sociedade imagina, pelas minhas roupas, pela minha
aparência; ou eu sou quem eu sou com ou sem brinco de pérolas, sem
esmalte nas unhas, sem nenhum acessório, apenas minha essência meu eu...
Lá estava Maria lavando as meias de seu marido, uma de cada vez. A cada par enxaguado eram lágrimas junto às águas. Maria era uma típica dona de casa. Subordinada ao marido. Não estava infeliz com a vida que levava. Ela amava cuidar dos filhos e ter tempo de arrumar seu lar. Os dias se passaram lentamente desde quando se casara com Alberto. Claro, ela havia se casado com o amor da sua vida, ou era nisso em que ela acreditava. Alberto, antes deles se casarem sempre levava flores, e a enchia de mimos... Ah, Alberto não era mais o mesmo. As pessoas mudam, porém Alberto tinha se desvencilhado de seus princípios... Alberto era doce, carinhoso, amava Maria, queria ter três ou quatro filhos. Tinha um olhar carinhoso, uma energia esplêndida. Sonhava em ter uma casa, e aos 27 anos já estava estável. Já tinha um bom emprego em um escritório de advocacia. Era um bom advogado, nunca havia perdido nenhuma causa. E aos 48, ainda não tinha perdido causas, havia perdido apenas a ale...

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