Ela olhou para o relógio mais uma vez, já se passava das quatro da manhã. Ele ainda estava nos pensamentos dela, em suas lembranças. Ela ainda podia escutar suas palavras, até conseguia sentir seu abraço. Não aguentava mais. Qual o motivo essa distância geográfica?! Por mais que ela virasse, mudasse de posição, o sono não vinha. Ele ainda estava em sua mente. Quando mais tentava esquecer mais se lembrava. Ela os imaginava, pensava no futuro, no casamento, em seu vestido branco. Então, pensava no nome dos seus filhos e em como seriam. Ela pensava em tudo. Lembrava de tudo. Todos os momentos que passaram juntos. Por que teve um fim?! Ela ainda amava-o, e ele amava-a. Mas ele havia se mudado, para fazer faculdade, e há alguns meses o relacionamento deles não era mais o mesmo. Ela estava possessiva, morria de ciúmes, e ele se sentia preso, sentia que não tinha liberdade mais. Eles haviam sido melhores amigos por anos, e agora tudo estava acabando dessa maneira. Ela não acreditava. Ele não acreditava. Mas ambos não estavam suportando mais aquilo, não estavam suportando um ao outro. Eles queriam liberdade, a liberdade que tinham quando começaram a namorar, queriam as brincadeiras, queriam a diversão, um gostava do antigo companheiro do jeito que era, e agora tiveram que se aceitar, aceitar que o tempo passou, que eles mudaram, e que não se completavam como antes, agora haviam mais brigas que brincadeiras, mas desentendimentos do que reconciliações. O amor deles havia esfriado e ela não queria deixar a chama se apagar. Até aquele momento ela havia conseguido, mas agora já não tinha muito o que fazer, porém ela ainda podia tentar mais uma vez, ela podia ter mais uma chance. Então, mandou uma mensagem de texto pra ele, e enquanto aguardava a resposta caiu num sono profundo, tranquilo, pois sentiu esperança de que aquilo ainda não havia acabado.
E. S. T. O. U. P. E. R. D. I. D. A. E estou a procura de mim. Escuto músicas, leio textos, busco... Talvez elas, as palavras, se misturem e formem poesias, mas não existe nenhuma a qual eu me encontro agora. Eu só me encontro aqui. Dentro de mim. Dentro de mim. Aqui dentro, sou uma mistura de sentimentos e de não sentir. De ser e não saber. De saber e talvez, não ser. Eu sou uma mistura de dúvidas e quase nenhuma, raras certezas. Estou onde eu sempre quis estar, fazendo o que sempre quis fazer. E me sinto confusa. Abdico de coisas que sempre gostei de fazer, coisas que sempre fiz. Abdico de mim mesma pelas minhas próprias escolhas. Abdico porque eu quis estar aqui, porque eu me cobro estar aqui. Eu não sei o que estou fazendo. E sei. Eu entendo. E não entendo no mesmo segundo. E. S. T. O. U. P. E. R. D. I. D. A. E estou a procura de mim. Afinal, quem eu sou? Quem sou eu? Quem fui? Quem serei?...

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