Pular para o conteúdo principal

Doce Clara.

 As vezes acho que Clara queria fugir da vida, queria buscar novos ares... Ah, minha doce Clara. Ela sempre foi assim, desde criança queria ter seu mundo, seus próprios amigos imaginários. As coisas que tinha não sabia dividir.
 Clara era uma egoísta e convicta. Queria o mundo do seu jeito. Não pensava em mais ninguém. Tinha seus livros, seus CDs, seus lápis, até desses ela tinha ciúmes. Ah, o ciúme.... Essa fera sem controle que vive dentro de cada um de nós.
 Ela fez amigo cujos eram só dela, não suportava tê-los que dividir, arrumou um namorado, e possuía um ciúmes muito grande dele...

 Sabe, egoísmo e ciúmes podem ser diferentes, mas o pensamento individual está presente em ambos... Antes das pessoas saberem amar, devem desprender-se do seu eu, do seu egoísmo, do seu querer pessoal... Não é também para não amar o seu eu, já que, só se ama os outros se se amar primeiro... E já estou esquecendo da história da Clara.
 E o seu namorado ensinou-a muitas coisas, entre elas, saber respeitar a liberdade individual dos seres, ensinou-a a controlar seus ciúmes, ensinou-a que todo ser humano é único, sendo ela também tão única quanto fundamental na vida das pessoas que cativa.
 Agora, a menina não é mais a mesma, ela mudou. Pela primeira vez, quis saber o porquê das coisas. Clara estava começando a amar, começando a se apaixonar pela vida e o mais importante começou a se amar, sentiu-se única e começou a sentir o real significado dos outros na sua vida. 

Comentários

  1. Doce Clara, doce Mariana... Este blogue é muito doce ...

    www.cchamun.blogspot.com.br
    Histórias, estórias e outras polêmicas

    ResponderExcluir
  2. O começo da descrição da Clara, na infancia, acho que bate com a maioria dos blogueiros, todos criativos num mundo de imaginação e sonhos... depois cada um se desenvolve e aprende com as belezas (e decepções) da vida... realmente doce como disse o claudio..

    __________________________________
    http://anteontemmusical.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O que eu acho mais mágico é isso, as vezes os leitores mostram muito sobre os textos que como autora dele não havia notado... Obrigada pelo comentário.. (:

      Excluir
  3. Seu blog é daqueles que quanto mais a gente lê, mais da vontade de ler mais. Curti muito!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ah, muito obrigada!
      Agradeço a visita, volte sempre.
      Nossa, obrigada mesmo... rs
      *:

      Excluir

Postar um comentário

O que achou do meu texto?

Postagens mais visitadas deste blog

Coração

- Oi, somos alunas aqui da faculdade e vamos te atender hoje. O que te trouxe aqui? - Dor no peito.  O ambulatório era de cardiologia, mas juraria que se eu fosse psiquiatra a atenderia melhor.  Colhemos a história.  - A senhora fuma?  - Três maços por dia.  A carga tabágica era de mais de 100 anos/maço. Porém, tudo culpa da ansiedade.   O que poderíamos fazer?   Sua impaciência. Sua vontade de sair do consultório para mais um trago era evidente.   Ela saiu. Nós esperamos.  O médico, enfim, chegou. Discutimos o caso. Passamos exames cardiológicos, um eletro daqui um eco dali. E assim, diagnosticamos problemas do corpo, mas jamais descobriremos da alma. Seu sofrimento. Sua solidão. Tudo que passamos pode ter sido em vão.   Agradecemos.   Ela agradeceu.  A consulta terminou, mas a lição ficou. A consulta pode até ter sido em vão, mas ela me tocou de coração. 

Francisco

  Mais um dia típico de verão. O calor insuportável. E lá vai Francisco, com uma mochila nas costas e de calças jeans, mencionarei que estava com uma camiseta básica – porém, preta – o que o fazia sentir mais calor do que estava. É, era um dia bonito devo confessar...  Parado esperando o sinal fechar para atravessar refletiu sobre o quão recente era sua cidade e quantas pessoas já haviam passado por ali. Imaginou pessoas com carroças, com roupas simples... Depois voou e imaginou algumas cortesãs... Mais um pouco e imaginou inúmeros drogados... Imaginou famílias felizes passeando... E sua mente virou um pouco de tudo. Com o sinal ainda fechado decidiu prosseguir pela calçada que estava afinal logo a frente haveria outro sinal... Sempre há vários sinais em cidades grandes, e do vermelho pro verde passam num picar de olhos a critica do Francisco era essa, que passavam tão rápidos que às vezes ele nem via o sinal abrir para pedestres...  Francisco observava atentament...

A casa de Dona Maria

Lá estava Maria lavando as meias de seu marido, uma de cada vez. A cada par enxaguado eram lágrimas junto às águas.  Maria era uma típica dona de casa. Subordinada ao marido. Não estava infeliz com a vida que levava. Ela amava cuidar dos filhos e ter tempo de arrumar seu lar. Os dias se passaram lentamente desde quando se casara com Alberto. Claro, ela havia se casado com o amor da sua vida, ou era nisso em que ela acreditava. Alberto, antes deles se casarem sempre levava flores, e a enchia de mimos... Ah, Alberto não era mais o mesmo. As pessoas mudam, porém Alberto tinha se desvencilhado de seus princípios...  Alberto era doce, carinhoso, amava Maria, queria ter três ou quatro filhos. Tinha um olhar carinhoso, uma energia esplêndida. Sonhava em ter uma casa, e aos 27 anos já estava estável. Já tinha um bom emprego em um escritório de advocacia. Era um bom advogado, nunca havia perdido nenhuma causa. E aos 48, ainda não tinha perdido causas, havia perdido apenas a ale...