Pular para o conteúdo principal

Coisas demais


 
Às vezes a gente anda com coisas de mais. A gente anda com coisa demais. Coisas demais que chegam a sobrecarregar a mente.
 Andar. Caminhar. Sentir o vento de uma - quase - chuva nos cabelos. Refresca. Acalma. 
 Podia chover para aliviar. Chover para levar embora os problemas, sejam quais forem. Sejam quais dores. Uma chuva de paz, de água. Mas, a gente anda com coisa demais... Celular, carteira. Documentos e papéis. Queria poder molhar tudo... Até a alma. Pra acalmar. Pra acalmar a alma. Tranquilizar a mente. Limpar os problemas. Misturar ao suor. E esquecer. Esquecer tudo que machuca. 
 Andar. Chover. É tudo tão ser. E sentir. Quem sabe? Saber que andar. Meditar. Elevar a alma ao andar. A cada passo. A cada passo o peso aumenta. Da bolsa. Da mochila. Das dores. Da alma. A preocupação supera a anterior e fica mais forte. Forte. Gotas que acalmam a alma, me impedem de continuar a escrever esse texto no celular. Porque a gente carrega coisas demais... Por quê? 
 Vento que a anuncia fica mais forte. Grita mais alto. Leva problemas. Leva dores. Traz paz. Traz lágrimas. Alívio. Gotas. Transborda. 
 Choveu lá fora, e aqui dentro chov(eu).

Comentários

Postar um comentário

O que achou do meu texto?

Postagens mais visitadas deste blog

A casa de Dona Maria

Lá estava Maria lavando as meias de seu marido, uma de cada vez. A cada par enxaguado eram lágrimas junto às águas.  Maria era uma típica dona de casa. Subordinada ao marido. Não estava infeliz com a vida que levava. Ela amava cuidar dos filhos e ter tempo de arrumar seu lar. Os dias se passaram lentamente desde quando se casara com Alberto. Claro, ela havia se casado com o amor da sua vida, ou era nisso em que ela acreditava. Alberto, antes deles se casarem sempre levava flores, e a enchia de mimos... Ah, Alberto não era mais o mesmo. As pessoas mudam, porém Alberto tinha se desvencilhado de seus princípios...  Alberto era doce, carinhoso, amava Maria, queria ter três ou quatro filhos. Tinha um olhar carinhoso, uma energia esplêndida. Sonhava em ter uma casa, e aos 27 anos já estava estável. Já tinha um bom emprego em um escritório de advocacia. Era um bom advogado, nunca havia perdido nenhuma causa. E aos 48, ainda não tinha perdido causas, havia perdido apenas a ale...

Francisco

  Mais um dia típico de verão. O calor insuportável. E lá vai Francisco, com uma mochila nas costas e de calças jeans, mencionarei que estava com uma camiseta básica – porém, preta – o que o fazia sentir mais calor do que estava. É, era um dia bonito devo confessar...  Parado esperando o sinal fechar para atravessar refletiu sobre o quão recente era sua cidade e quantas pessoas já haviam passado por ali. Imaginou pessoas com carroças, com roupas simples... Depois voou e imaginou algumas cortesãs... Mais um pouco e imaginou inúmeros drogados... Imaginou famílias felizes passeando... E sua mente virou um pouco de tudo. Com o sinal ainda fechado decidiu prosseguir pela calçada que estava afinal logo a frente haveria outro sinal... Sempre há vários sinais em cidades grandes, e do vermelho pro verde passam num picar de olhos a critica do Francisco era essa, que passavam tão rápidos que às vezes ele nem via o sinal abrir para pedestres...  Francisco observava atentament...

E estou a procura de mim

E. S. T. O. U. P. E. R. D. I. D. A.   E estou a procura de mim.  Escuto músicas, leio textos, busco... Talvez elas, as palavras, se misturem e formem poesias, mas não existe nenhuma a qual eu me encontro agora. Eu só me encontro aqui. Dentro de mim.   Dentro de mim. Aqui dentro, sou uma mistura de sentimentos e de não sentir. De ser e não saber. De saber e talvez, não ser. Eu sou uma mistura de dúvidas e quase nenhuma, raras certezas.    Estou onde eu sempre quis estar, fazendo o que sempre quis fazer. E me sinto confusa. Abdico de coisas que sempre gostei de fazer, coisas que sempre fiz. Abdico de mim mesma pelas minhas próprias escolhas. Abdico porque eu quis estar aqui, porque eu me cobro estar aqui.  Eu não sei o que estou fazendo. E sei. Eu entendo. E não entendo no mesmo segundo.  E. S. T. O. U. P. E. R. D. I. D. A.   E estou a procura de mim.   Afinal, quem eu sou? Quem sou eu? Quem fui? Quem serei?...